Para garantir a segurança dos trabalhadores e a conformidade legal das empresas, a engenharia de segurança contra quedas no Brasil baseia-se em normativas estritas. Nesse cenário, a ABNT NBR 16325 é o principal marco regulatório para a fabricação e o desempenho de dispositivos de ancoragem.
Sendo assim, compreender o que diz a norma e o que ela estabelece não é apenas uma obrigação legal, mas um passo fundamental para evitar acidentes fatais e proteger sua equipe.
Neste artigo elaborado pelos especialistas da Dois Dez, vamos detalhar as diretrizes normativas, explicar as diferenças entre as classes de ancoragem e mostrar as razões pelas quais a adequação a esses parâmetros é inegociável. Continue a leitura e entenda:
- o que diz a NBR 16325 e como ela surgiu;
- para quem vale a NBR 16325;
- quais são os tipos de ancoragem previstos pela NBR 16325;
- qual é o limite de impacto no usuário estabelecido pela norma;
- a conformidade da Dois Dez com a NBR 16325.
O que diz a NBR 16325 e como ela surgiu?
A NBR 16325 foi criada para estabelecer os requisitos mínimos de desempenho, ensaios estruturais e marcações para dispositivos de ancoragem destinados ao uso em Sistemas de Proteção Individual contra Quedas (SPIQ).
O surgimento dessa normativa se deu a partir da na norma europeia EN 795. No entanto, foram necessários diversos estudos de viabilidade para que a adaptação fosse fiel ao rigor do texto original, mas respeitasse as características construtivas e as peculiaridades do mercado nacional.
A Dois Dez Industrial orgulha-se de ter participado ativamente de parte desse processo de elaboração, acompanhando reuniões da ABNT e colaborando com inteligência técnica para elevar a qualidade e a exigência da norma brasileira.
Em 2024, a norma sofreu uma atualização. Dentre as principais mudanças estão a unificação dos tipos A1 e A2 e a inclusão do Tipo E. A norma passou também a conter novos anexos, sobre relatórios de ensaios e sobre tipos de terminações para cabos de aço.
Para quem vale a NBR 16325?
A NBR 16325 é destinada à fabricação de produtos novos. Ou seja, ela rege os critérios técnicos que os dispositivos de ancoragem devem cumprir antes de serem comercializados pelas empresas fabricantes.
Ela estipula os requisitos mínimos para os ensaios de tração (estáticos e dinâmicos) e resistência à corrosão, além de definir o que deve constar nas instruções de instalação e na marcação obrigatória dos produtos.
Ao exigir que um fornecedor cumpra a NBR 16325, o engenheiro de segurança responsável pela obra garante que está adquirindo um equipamento previamente testado e aprovado em laboratório.
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Quais são os tipos de ancoragem previstos pela NBR 16325?
Devido à grande variedade de aplicações, a norma foi dividida em duas partes principais: a NBR 16325-1 (que abrange os tipos A, B, D e E) e a NBR 16325-2 (exclusiva para o tipo C).
Veja a seguir a classificação técnica de cada dispositivo:
Ancoragem Tipo A
São os dispositivos de ancoragem projetados para serem fixados em uma estrutura (horizontais, verticais ou inclinadas), seja por meio de uma ancoragem estrutural (como chumbadores químicos ou barras roscadas no concreto) ou elementos de fixação. São os chamados Olhais de Ancoragem. A norma diz respeito ao olhal (o dispositivo), mas não à barra roscada dentro do concreto (a ancoragem estrutural);
Ancoragem Tipo B
Os dispositivos do Tipo B são considerados ancoragens transportáveis temporárias. São os sistemas que podem ser movidos até o local de trabalho, mas que, uma vez montados para uso, devem permanecer estacionários e criar um ponto de ancoragem estável.
Essa categoria abrange uma ampla gama de inovações, incluindo:
- Monopés e tripés para espaço confinado;
- Fitas de ancoragem (fitas anel);
- Eslingas (também conhecidos como estropos) de cabo de aço;
- Pega-vigas e olhais transportáveis para concreto e estruturas metálicas.
Ancoragem Tipo D (Linhas de Vida Rígidas)
As ancoragens Tipo D são compostas porlinhas de vida rígidas, estruturadas principalmente por trilhos metálicos.
Nesses sistemas, um ponto de conexão móvel (como um trole deslizante) se desloca de forma suave pela trajetória do trilho.
A inclinação máxima permitida para um sistema ser considerado horizontal é de 15°. Esse tipo de solução é indicada para galpões e áreas de carga e descarga, especialmente onde a Zona de Livre Queda (ZLQ) é crítica, pois eles não sofrem deflexão (o “efeito flecha” dos cabos de aço) no momento de uma queda.
Ancoragem Tipo E
São os dispositivos de ancoragem que utilizam o sistema de contrapeso combinado ao atrito para a proteção contra quedas, dispensando perfurações ou furos na estrutura. Esse tipo de dispositivo é indicado para uso em superfícies com inclinação de até 5° a partir da horizontal.
Importante: Dispositivos conhecidos como “latas de ancoragem”, que utilizam apenas contrapeso (sem atrito) não caracterizam dispositivos de ancoragem tipo E e portanto não são seguros para proteção contra quedas.
Ancoragem Tipo C (Linhas de Vida Flexíveis)
Regida especificamente pelaNBR 16325-2, a categoria Tipo C refere-se aos dispositivos de ancoragem que utilizam linhas de vida horizontais flexíveis (como cabos de aço ou cordas).
A norma estipula que essas linhas não devem desviar de seu plano horizontal em mais de 15° ao longo de sua extensão. Esses sistemas flexíveis podem ser classificados em:
- Linhas de Vida Permanentes: fixadas de forma definitiva à edificação e fabricadas com materiais de altíssima durabilidade (como aço inox ou galvanizado a fogo), projetadas para longa exposição às intempéries;
- Linhas de Vida Temporárias: fabricadas geralmente com materiais sintéticos (fitas ou cordas), projetadas para uso de curto prazo e fácil desmontagem, muito comuns em etapas pontuais da construção civil.
Qual é o limite de impacto no usuário estabelecido pela norma?
Um dos avanços estruturais mais importantes trazidos pela NBR 16325 é a exigência técnica de que a força de choque repassada ao corpo do trabalhador durante a retenção de uma quedanunca ultrapasse 6 kN (quilonewtons).
Essa medida é usada porque a medicina e a engenharia de segurança atestam que forças superiores a 6 kN (aproximadamente 611 Kg) causam danos irreversíveis aos órgãos internos e alto risco de óbito.
Como garantir o limite de 6 kN na prática?
Quando falamos de um ponto de ancoragem simples (como um olhal Tipo A), o limite é garantido pela compatibilidade com os Equipamentos de Proteção Individual (EPI). A ancoragem estrutural deve ser rígida, e quem fará a dissipação da energia é o absorvedor de impacto integrado ao talabarte ou ao trava-quedas do trabalhador (como determina alegislação).
Porém, quando projetamosLinhas de Vida (Tipos C e D), a engenharia se torna mais complexa. No evento de uma queda no meio de um vão flexível (cabo de aço), as forças dinâmicas transferidas para as ancoragens de extremidade da linha podem facilmente exceder 300% do peso inicial da queda.
Para que a linha não colapse e repasse um impacto fatal ao trabalhador, é necessário um cálculo de engenharia avançado que envolva a instalação de absorvedores de energia estruturais na própria linha de vida, que funcionam como um limitador de carga.
Além disso, é imprescindível calcular a flecha gerada no cabo de aço para garantir que a Zona Livre de Queda (ZLQ) seja suficiente para que o trabalhador não atinja o nível inferior.
A Dois Dez atua em conformidade com a NBR 16325?
O cumprimento das normas não é apenas uma regra para a Dois Dez Industrial, é a base da nossa engenharia e do nosso propósito de preservar vidas.
Muitas empresas comercializam componentes soltos, delegando o risco da montagem ao cliente final. ADois Dez, como líder nacional em prevenção de quedas, atua de forma diferenciada:
- Participação ativa: nossa equipe de engenharia qualificada participa ativamente dos comitês da ABNT, colaborando diretamente na elaboração das normas que regem o setor;
- Laboratório Próprio: possuímos laboratório de ensaios próprio para garantir a realização de rigorosos testes estáticos e dinâmicos de carga, certificando o desempenho de todos os nossos dispositivos de ancoragem (Tipos A, B, C D e E);
- Sistema Turn-key: não apenas fabricamos, mas oferecemos a solução completa: diagnóstico da área, projeto de engenharia com emissão de ART, fabricação certificada, instalação profissional e as inspeções anuais obrigatórias.
Um erro no cálculo das ancoragens expõe a equipe a riscos letais e a empresa a passivos jurídicos irreversíveis. Confie a segurança da sua operação a quem possui conhecimento normativo profundo e um histórico de zero acidentes fatais.
Precisa adequar sua estrutura aos requisitos da NBR 16325? Entre em contato com a equipe de engenharia da Dois Dez Industrial e solicite um diagnóstico completo e sob medida para sua empresa.

